Segurar um objecto seria impossível com o desenrolar do tempo, não fosse a generalidade dos conceitos definir as coisas em conjuntos de objectos extremamente semelhantes, com as mesmas características e funcionalidade.
Seria impossível precisamente porque com o desenrolar dos eventos, a forma atómica de um objecto expande-se, comprime-se, fragmenta-se, regenera-se ao existir num Universo em que desde o primeiro movimento corpuscular que eventos se sucedem, obra da relação causa e efeito. Assim, o decorrer das sucessões, do tempo, desempenha o papel de evoluir a matéria.
O Tempo: o suceder dos eventos segundo uma ordem inviolável de que estes são sempre precedidos pelas suas causas e irão preceder, causar, outros eventos, efeitos. O nosso percepcionar do tempo é, portanto, o ordenar dos acontecimentos, o relativizar da sua existência no espaço a uma simbologia cronológica, originando assim a noção de espaço-tempo. Esta noção exprime uma indissociabilidade entre os dois termos uma vez que é impossível não atribuir um precedente a qualquer evento, tal como é ilógico considerar a ordem sem ter o que ordenar.
Mas o Espaço-tempo não é igual em todo o Universo. Ou pelo menos assim a nossa percepção nos leva a crer. De facto, ao viajar-se à velocidade da luz, e seguindo a perspectiva deste texto, estar-se-á simplesmente a tomar parte numa série de eventos que se desenrola segundo a cronologia expressa pela relação causa e efeito; no entanto, se tomarmos o exemplo das imagens de uma televisão que está a mil anos-luz de nós, sendo nós hipoteticamente capazes de ver as imagens e viver os mil anos que estas demoram a chegar até nós, verificamos que, ao chegar em vagas, cuja divisão não é percepcionada pelos sensores ópticos do ser humano, a forma da imagem mantém-se exactamente igual a quando foi emitida, apesar de terem passado mil anos desde a sua emissão.